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Cancelamento de dívidas após falência

Cancelamento de dívidas após falência

O cancelamento de dívidas após falência na Suíça

A falência representa uma situação financeira delicada em que uma pessoa se encontra impossibilitada de reembolsar as suas dívidas. Na Suíça, este processo é estritamente regulado pela Lei federal sobre a execução por dívidas e a falência (LP). Face à acumulação de dívidas insuperáveis, o seu cancelamento constitui frequentemente a única saída viável para recomeçar do zero. A legislação suíça prevê vários mecanismos que permitem, sob determinadas condições, libertar-se do fardo financeiro após um procedimento de falência. O nosso escritório de advogados acompanha regularmente particulares e empresários nestas diligências complexas, oferecendo-lhes apoio jurídico adaptado às especificidades do direito suíço e à sua situação pessoal.

Quadro jurídico do cancelamento de dívidas na Suíça

O sistema jurídico suíço enquadra o cancelamento de dívidas através de vários dispositivos legais. A Lei federal sobre a execução por dívidas e a falência (LP) constitui a base principal desta regulamentação, complementada por diversas ordenanças e pela jurisprudência do Tribunal Federal.

Contrariamente a certas ideias preconcebidas, a falência na Suíça não implica automaticamente o cancelamento total das dívidas. O procedimento de falência visa antes de mais repartir equitativamente os ativos disponíveis entre os credores. Todavia, determinados mecanismos permitem obter uma liberação parcial ou total das dívidas remanescentes.

O artigo 265 LP prevê a emissão de um «certificado de insuficiência de bens» para os créditos que não puderam ser reembolsados no termo do procedimento de falência. Este ato não constitui um cancelamento da dívida, mas transforma-a num crédito prescritível após 20 anos. Durante este período, o credor conserva o direito de executar o devedor se a sua situação financeira melhorar.

Para as pessoas coletivas (sociedades), o cancelamento do registo comercial após o encerramento da falência implica geralmente a extinção das dívidas remanescentes. Para as pessoas singulares, a situação é mais complexa e exige frequentemente o recurso a procedimentos específicos.

Distinção entre pessoas singulares e coletivas

É fundamental distinguir as regras aplicáveis às pessoas singulares das que dizem respeito às pessoas coletivas:

  • Para as pessoas coletivas (SA, Lda., etc.), o cancelamento do registo comercial após a falência implica geralmente o desaparecimento da entidade jurídica e a extinção das dívidas não cobertas
  • Para as pessoas singulares, as dívidas subsistem após a falência sob a forma de certificados de insuficiência de bens
  • Os empresários em nome individual são considerados pessoas singulares e permanecem, portanto, responsáveis pelas suas dívidas profissionais

Esta distinção é capital na estratégia a adotar face a uma situação de insolvência, e o nosso escritório de advogados analisa minuciosamente cada caso para propor as soluções mais adaptadas consoante o estatuto jurídico do cliente.

Procedimentos de cancelamento de dívidas para particulares

Para os particulares confrontados com uma situação financeira insuperável, existem várias opções no direito suíço para tentar obter um cancelamento parcial ou total das dívidas.

O concordato

O concordato representa uma alternativa à falência, permitindo ao devedor negociar um acordo com os seus credores. Existem três tipos principais de concordatos:

  • O concordato ordinário (ou moratório): permite ao devedor obter um prazo para reestruturar a sua situação
  • O concordato-dividendo: prevê um pagamento parcial dos créditos
  • O concordato por abandono de ativo: o devedor cede os seus bens aos credores

Para ser válido, um concordato deve ser aprovado por uma maioria qualificada dos credores e homologado pela autoridade judicial competente. Este procedimento permite por vezes obter uma remissão parcial das dívidas, mas raramente um cancelamento total.

O procedimento de falência pessoal

A falência pessoal pode ser pedida pelo próprio devedor (falência voluntária) ou resultar de uma execução infrutífera. No termo da liquidação dos ativos e da distribuição do produto aos credores, as dívidas não pagas são constatadas por certificados de insuficiência de bens.

Estes certificados de insuficiência de bens não constituem um cancelamento propriamente dito, mas transformam as dívidas em créditos prescritíveis após 20 anos. Durante este período, o credor pode sempre tentar recuperar o seu crédito se a situação do devedor melhorar.

Em certos casos excecionais, o devedor pode pedir um encerramento de falência por insuficiência de ativo (art. 230 LP). Este procedimento simplificado intervém quando os ativos são insuficientes para cobrir as despesas da falência. Não implica o cancelamento das dívidas mas pode simplificar a situação administrativa.

A moratória concordatária

A moratória concordatária (art. 293 e seguintes LP) oferece ao devedor uma pausa temporária face às execuções, permitindo-lhe tentar restabelecer a sua situação financeira ou negociar com os credores. Este procedimento pode conduzir a um concordato e, em certos casos, a uma remissão parcial das dívidas.

O nosso escritório de advogados orienta os particulares na escolha do procedimento mais adequado à sua situação e acompanha-os em todas as diligências administrativas e jurídicas necessárias.

Estratégias de negociação com os credores

Face a uma situação de endividamento crítico, a negociação direta com os credores constitui frequentemente uma primeira etapa estratégica antes de equacionar procedimentos mais formais.

Remissão voluntária de dívida

A remissão voluntária de dívida consiste em negociar diretamente com os credores para obter:

  • Uma redução do montante da dívida
  • Um escalonamento dos pagamentos por um período mais longo
  • Uma suspensão temporária das obrigações de reembolso
  • Em certos casos, um abandono total do crédito

Esta abordagem funciona particularmente bem com os credores que preferem recuperar uma parte do seu crédito a arriscar não obter nada no âmbito de um procedimento de falência.

Compra de créditos a preço reduzido

Em certas situações, é possível negociar a compra de um crédito por um montante inferior ao seu valor nominal. Esta estratégia é particularmente pertinente quando:

  • O credor duvida da sua capacidade de recuperar a totalidade do crédito
  • O crédito é antigo e o credor prefere um pagamento imediato
  • O credor enfrenta as suas próprias dificuldades financeiras

O nosso escritório de advogados possui uma sólida experiência na negociação com diferentes tipos de credores (bancos, administrações fiscais, caixas de saúde, etc.) e pode representar eficazmente os interesses do devedor nestas diligências delicadas.

Planos de saneamento financeiro

A elaboração de um plano de saneamento financeiro coerente reforça consideravelmente a posição do devedor nas negociações. Este plano deve demonstrar:

  • Uma análise realista da situação financeira atual
  • Propostas concretas e viáveis de reembolso parcial
  • Um compromisso claro do devedor de respeitar as suas novas obrigações

Um tal plano, preparado com a assistência do nosso escritório de advogados, pode convencer os credores a aceitar compromissos significativos em vez de se envolverem em procedimentos longos e incertos.

Consequências práticas da falência e dos certificados de insuficiência de bens

A falência e os certificados de insuficiência de bens que dela resultam implicam diversas consequências práticas que importa compreender para melhor gerir o pós-falência.

Impacto na vida quotidiana

A nível prático, a falência e os certificados de insuficiência de bens afetam vários aspetos da vida quotidiana:

  • A inscrição no registo das execuções durante 5 anos
  • Dificuldades de acesso ao crédito e aos serviços bancários
  • Eventuais obstáculos ao arrendamento de habitação
  • Limitações em determinadas atividades profissionais

Estas consequências podem ser atenuadas por uma gestão proativa da situação pós-falência e pela implementação de estratégias adaptadas, domínios em que o nosso escritório de advogados possui uma especialização reconhecida.

Rendimento impenhorável e novo começo

Após uma falência, o devedor conserva o direito a um mínimo vital impenhorável, calculado segundo tabelas precisas. Esta proteção é fundamental para permitir um novo começo.

Por outro lado, determinados bens são legalmente impenhoráveis (art. 92 LP), nomeadamente:

  • Os objetos pessoais necessários
  • As ferramentas de trabalho indispensáveis
  • Uma parte dos rendimentos do trabalho
  • Determinadas prestações sociais

Esta proteção permite ao devedor manter um nível de vida mínimo e reconstruir progressivamente a sua situação financeira.

Prescrição dos certificados de insuficiência de bens

Os certificados de insuficiência de bens prescrevem por 20 anos a contar da sua emissão (art. 149a LP). Esta prescrição constitui, na prática, o principal mecanismo de cancelamento de dívidas no direito suíço para as pessoas singulares.

Todavia, esta prescrição pode ser interrompida por determinados atos do credor, como uma nova execução. É, portanto, primordial conhecer com precisão as regras aplicáveis e vigiar atentamente os prazos.

O nosso escritório de advogados acompanha os clientes na gestão destes certificados de insuficiência de bens e na antecipação da sua prescrição, elemento-chave de uma estratégia de saneamento financeiro a longo prazo.

Soluções práticas e acompanhamento jurídico personalizado

Face a uma situação de endividamento crítico, um acompanhamento jurídico personalizado revela-se frequentemente determinante para identificar e implementar as soluções mais adaptadas.

Análise prévia da situação financeira

Qualquer diligência de saneamento começa por uma análise aprofundada da situação financeira do cliente. Esta etapa permite identificar:

  • A natureza exata e o montante total das dívidas
  • Os credores prioritários e as suas disposições para negociar
  • Os ativos disponíveis e o seu valor realizável
  • Os rendimentos atuais e futuros do devedor

Com base nesta análise, o nosso escritório de advogados elabora uma estratégia personalizada, tendo em conta as especificidades jurídicas e financeiras de cada processo.

Acompanhamento nos procedimentos administrativos

Os procedimentos de insolvência implicam numerosas diligências administrativas complexas:

  • Depósito do pedido de falência pessoal
  • Negociações com os serviços de execuções e falências
  • Constituição e apresentação dos processos para os procedimentos concordatários
  • Gestão das relações com os credores

A nossa equipa de advogados especializados encarrega-se destes aspetos técnicos, permitindo ao cliente concentrar-se na reconstrução da sua situação pessoal e profissional.

Defesa dos interesses do devedor face aos credores

No âmbito dos procedimentos de insolvência, o devedor encontra-se frequentemente numa posição de fraqueza face aos credores. O nosso escritório de advogados intervém para:

  • Contestar os créditos injustificados ou sobeavaliados
  • Negociar condições favoráveis com os credores abertos ao diálogo
  • Fazer valer os direitos do devedor relativamente ao mínimo vital
  • Velar pelo estrito cumprimento dos procedimentos legais por todas as partes

Esta defesa ativa dos interesses do devedor constitui frequentemente um fator decisivo na obtenção de condições favoráveis de saneamento.

No contexto jurídico atual, marcado por uma tendência para o reconhecimento do direito ao relançamento económico das pessoas endividadas, o nosso escritório de advogados mantém-se particularmente atento às evoluções legislativas e jurisprudenciais suscetíveis de oferecer novas oportunidades de cancelamento de dívidas. As discussões em curso a nível federal sobre uma possível reforma do direito da insolvência dos particulares testemunham uma consciencialização crescente dos limites do sistema atual. A nossa especialização neste domínio em constante evolução permite-nos oferecer um acompanhamento jurídico ao mesmo tempo rigoroso no plano técnico e sensível às realidades humanas das situações de sobreendividamento.

Perguntas frequentes sobre o cancelamento de dívidas após falência na Suíça

As dívidas são automaticamente canceladas após uma falência na Suíça?

Depende do tipo de devedor. Para uma pessoa coletiva (SA, Lda.), as dívidas são extintas com o encerramento da liquidação — a sociedade é cancelada e desaparece. Para uma pessoa singular, as dívidas NÃO são canceladas automaticamente: um certificado de insuficiência de bens (CIB) é emitido para cada crédito não satisfeito, permitindo ao credor agir durante mais 20 anos.

O que é o certificado de insuficiência de bens após falência e quanto tempo dura?

O CIB após falência (art. 265 LP) constata que um crédito não pôde ser coberto pela massa falida. Para as pessoas singulares, o crédito subsiste durante 20 anos (art. 149a LP) — o credor pode retomar a execução se o devedor recuperar ativos. O CIB é inscrito no extrato do registo das execuções durante 5 anos.

Um particular pode beneficiar de um cancelamento de dívidas na Suíça?

Não existe na Suíça um procedimento de 'discharge' ou de remissão legal de dívidas como em certos países (ex.: Reino Unido, EUA). Um particular que tenha feito falência permanece devedor dos saldos durante 20 anos. A única forma de obter um cancelamento real é uma remissão voluntária de dívida pelo credor, ou um concordato (remissão parcial concedida pelos credores em troca de um pagamento parcial).

A prescrição de um CIB é de 20 anos sem possibilidade de interrupção?

Sim. O crédito constatado por um CIB prescreve por 20 anos (art. 149a LP). Este prazo corre desde a emissão do CIB. Todavia, uma nova execução instaurada com base no CIB interrompe a prescrição e faz correr um novo prazo. Após 20 anos sem interrupção, o crédito prescreve definitivamente.

Como pode uma empresa em falência obter o seu cancelamento no registo comercial?

Após o encerramento da falência pelo serviço de falências, a sociedade é cancelada oficiosamente do registo comercial. Uma vez cancelada, a entidade deixa de existir juridicamente e as suas dívidas já não podem ser reclamadas (exceto responsabilidade pessoal dos órgãos). O cancelamento ocorre após a distribuição final e o depósito do relatório de encerramento.

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