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Estatuto dos exchanges

Estatuto dos exchanges

Regulação das criptomoedas na Suíça: estatuto dos exchanges

A Suíça posicionou-se como um território atrativo para os atores do setor das criptomoedas graças ao seu quadro regulamentar progressista. As plataformas de troca de criptomoedas, comummente denominadas «exchanges», beneficiam de um ambiente jurídico relativamente claro em comparação com outras jurisdições. Esta clareza regulamentar provém principalmente da abordagem pragmática adotada pelas autoridades suíças, nomeadamente a FINMA (Autoridade Federal de Supervisão dos Mercados Financeiros). O estatuto jurídico destas plataformas na Suíça assenta em vários pilares legislativos que enquadram as suas atividades, favorecendo simultaneamente a inovação.

Quadro regulamentar aplicável aos exchanges na Suíça

O estatuto jurídico dos exchanges na Suíça insere-se num quadro regulamentar que se adaptou progressivamente às especificidades dos ativos digitais. Ao contrário de certos países que criaram regimes específicos, a Suíça privilegiou uma abordagem funcional, aplicando a legislação existente às novas tecnologias.

Tipos de autorizações FINMA para os exchanges

Tipo de autorização Base legal Capital mínimo Atividades abrangidas
Filiação OAR LBA Segundo o OAR Intermediário financeiro LBA apenas (troca cripto/fiat, cripto/cripto)
Licença negociante de valores mobiliários LEFin CHF 1,5 M (mín.) Negociação de security tokens por conta própria ou de terceiros
Sistema de negociação DLT LIMF + Lei DLT 2021 CHF 1 M (mín.) Exchange de criptoativos (profissional + retalho) em registo distribuído
Bolsa / SMN LIMF CHF 10 M (mín.) Plataforma de negociação multilateral de valores mobiliários
Banco / FinTech LB / Portaria FinTech CHF 300 000 (FinTech) / CHF 10 M (banco) Custódia de ativos de clientes + serviços bancários cripto

Os exchanges suíços estão principalmente sujeitos à Lei sobre o branqueamento de capitais (LBA) e, segundo as suas atividades, podem cair sob a alçada da Lei sobre as infraestruturas dos mercados financeiros (LIMF) ou da Lei sobre os estabelecimentos financeiros (LEFin). A Lei DLT, em vigor progressivamente desde 2021, trouxe modificações significativas a dez leis federais para facilitar a integração das criptomoedas no quadro jurídico suíço.

Obrigações específicas segundo a classificação

  • As plataformas que oferecem apenas trocas cripto-para-cripto têm geralmente exigências menos estritas
  • Os exchanges que oferecem serviços fiat-para-cripto estão sujeitos a obrigações mais alargadas
  • As plataformas que oferecem serviços de custódia de ativos digitais devem respeitar normas de segurança específicas

Processo de autorização e supervisão dos exchanges

O processo de autorização dos exchanges na Suíça varia segundo a natureza das suas atividades. Para as plataformas consideradas como intermediários financeiros na aceção da LBA, a filiação num organismo de autorregulação (OAR) reconhecido pela FINMA constitui a primeira etapa obrigatória.

O processo de autorização junto da FINMA compreende geralmente:

  • Submissão de um dossier completo que descreve o modelo de negócio, as medidas de segurança e os procedimentos de conformidade
  • Verificação da idoneidade e das competências profissionais dos dirigentes
  • Avaliação dos mecanismos de controlo interno e de gestão dos riscos
  • Exame das medidas técnicas e organizacionais para assegurar a segurança dos ativos dos clientes
  • Análise dos procedimentos LBA/KYC

Exigências em matéria de capital e de organização

Os exchanges autorizados devem manter um capital mínimo cujo montante varia segundo a natureza dos serviços propostos. A nível organizacional, os exchanges devem implementar:

  • Uma estrutura de governação clara com uma separação adequada das funções
  • Sistemas informáticos robustos que garantam a segurança das transações e a proteção dos dados
  • Procedimentos eficazes de identificação dos clientes (KYC) e de monitorização das transações
  • Mecanismos de gestão dos riscos operacionais, jurídicos e de reputação

Obrigações em matéria de luta contra o branqueamento de capitais

As obrigações em matéria de luta contra o branqueamento de capitais constituem um dos aspetos mais rigorosos da regulamentação. Enquanto intermediários financeiros na aceção da LBA, os exchanges são obrigados a implementar medidas estritas:

  • A verificação da identidade dos clientes (KYC) para as transações que ultrapassem 1 000 CHF
  • A identificação do beneficiário efetivo dos fundos
  • A implementação de um sistema de monitorização das transações que permita detetar as operações incomuns
  • A comunicação das suspeitas ao Serviço de comunicação em matéria de branqueamento de capitais (MROS)
  • A conservação dos documentos relativos às transações e às relações de negócio durante dez anos

Travel Rule e medidas específicas às criptomoedas

A FINMA adotou uma abordagem particularmente estrita relativamente à aplicação da regra da «travel rule» às transações em criptomoedas. Esta regra, decorrente das recomendações do GAFI, exige que as informações sobre o ordenante e o beneficiário acompanhem as transferências de criptomoedas, à semelhança do que é praticado para as transferências bancárias tradicionais. Aplica-se desde o primeiro franco suíço, sem limiar mínimo.

  • Utilização de ferramentas de análise blockchain para rastrear a origem dos fundos
  • Implementação de protocolos travel rule para a troca segura de informações entre plataformas
  • Aplicação de procedimentos reforçados para as criptomoedas orientadas para a confidencialidade (privacy coins)

Proteção dos investidores e dos consumidores

Os exchanges que operam na Suíça são obrigados a respeitar várias obrigações que visam proteger os seus clientes:

  • Transparência sobre as comissões, os riscos e as condições gerais de utilização
  • Segregação dos haveres dos clientes dos da plataforma
  • Implementação de medidas técnicas para proteger as criptomoedas contra os ciberataques
  • Informação clara sobre a natureza dos serviços propostos e as garantias oferecidas

A Lei DLT reforçou a proteção jurídica dos detentores de criptomoedas em caso de falência de um exchange. Clarificou nomeadamente o estatuto dos ativos digitais nos procedimentos de insolvência, permitindo a sua reivindicação pelos clientes quando são detidos a título fiduciário pela plataforma.

Perguntas frequentes sobre o estatuto dos exchanges na Suíça

Um exchange de criptomoedas deve obrigatoriamente ser autorizado pela FINMA?

Nem sempre diretamente. Os exchanges considerados intermediários financeiros na aceção da LBA devem filiar-se a um OAR reconhecido ou obter uma autorização FINMA. As plataformas que oferecem trocas de valores mobiliários ou que operam como sistemas de negociação (SMN/SON) necessitam de uma licença FINMA específica.

Qual é a diferença entre um OAR e uma licença FINMA direta?

Um OAR (organismo de autorregulação) é uma associação setorial reconhecida pela FINMA que supervisiona os seus membros em matéria de luta contra o branqueamento de capitais (LBA). A filiação num OAR é menos exigente do que uma licença FINMA direta, que impõe obrigações prudenciais mais estritas (capital, governação, auditoria). Os exchanges de maior dimensão optam frequentemente pela licença direta para aceder a um mercado mais alargado.

O que é a licença DLT criada pela lei de 2021?

A lei DLT de 2021 criou uma nova categoria de autorização para os sistemas de negociação baseados na tecnologia dos registos distribuídos (TRD). Esta licença é especificamente concebida para as plataformas de troca de criptoativos. O capital mínimo é de 1 milhão de CHF, ajustável segundo os riscos. Permite a um exchange acolher tanto participantes profissionais como clientes privados.

A Travel Rule aplica-se aos exchanges suíços?

Sim. Desde 2021, a Travel Rule aplica-se sem limiar mínimo na Suíça. Os exchanges devem transmitir as informações sobre o ordenante e o beneficiário em qualquer transferência de criptomoedas entre prestadores. Para as transferências para carteiras não custodiais, aplicam-se medidas de diligência reforçadas.

A PBM Avocats pode acompanhar a obtenção de uma licença para um exchange?

Sim. O nosso escritório acompanha as plataformas na análise do seu modelo de negócio, na preparação do dossier FINMA, na conformidade KYC/AML, na estruturação jurídica e no diálogo com as autoridades de regulação em Genebra e Lausana.

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